Já começou o aquecimento dos motores (no bom sentido) para a Rio+20),
conferência de meio ambiente que a Organização das Nações Unidas (ONU)
realizará de 20 a 22 de junho deste ano na cidade do Rio de Janeiro. Um
dos pontos mais importantes da agenda do evento será a criação de 10
metas de desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza, que serão
chamadas de Objetivos Globais de Desenvolvimento Sustentável (SDGs, na
sigla em inglês).
Leia o comentário de André Trigueiro sobre o assunto:
O que leva 300 jovens de 100 países (Togo,Vietnã, Ucrânia,
Paraguai, Mali,etc) a acamparem num sitío em Vargem Pequena (RJ)
debaixo de muita chuva e lama para debater durante uma semana soluções
sustentáveis para o mundo? O que exatamente atrai 800 espectadores a
lotarem durante 2 dias um auditório no Espaço Humanidade 2012 (Forte de
Copacabana) para assistir a 28 painelistas apresentarem em apenas 18
minutos cada um suas ideias para um mundo melhor e mais justo? O que fez
1200 jovens aceitarem o convite para serem voluntários durante a
Rio+20? O que atrai aproximadamente 30 mil ativistas a virem de todos os
continentes para o Aterro do Flamengo – na maioria absoluta dos casos
custeando as próprias despesas - participar da Cúpula dos Povos?
Há muitas respostas possíveis para essas perguntas. Todas
elas deveriam servir de inspiração para os diplomatas que definirão a
partir desta quarta-feira (13/6) no Rio de Janeiro o texto final da
Conferência da ONU que será assinado pelos chefes de estado. Após
várias rodadas de muitas conversas e poucos avanços, chegou-se a um
texto onde 75% dos parágrafos estão em aberto. Ou seja: um documento que
ainda não disse a que veio, bastante difuso, e segundo testemunhas,
sonolento.
Quando os interesses de curto prazo atropelam o instinto de
sobrevivência coletivo, não há razão para megaeventos como a Rio+20. O
mínimo que se pede daqueles que representam os interesses de cada país é
que honrem a gigantesca expectativa que paira sobre eles neste
momento. Perdemos o direitos de errar, e o maior dos erros agora é se
omitir. O custo de ajustarmos a economia global na direção de um modelo
mais inclusivo e sustentável é infinitamente menor do que o custo da
inação, de não agir, de replicar o “business as usual”. O risco de um
colapso em escala global – a partir da falência múltipla dos
ecossistemas já exauridos pela demanda crescente de água, matéria-prima e
energia em proporções insustentáveis - é iminente.
O momento é agora. O Rio de Janeiro é o lugar. Estamos de olho.

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